O preço de um curso online sai de uma conta com quatro linhas: custo de produção dividido pelos alunos esperados, taxa da plataforma, custo de aquisição por aluno e a margem que você quer. Depois, o valor percebido corrige o resultado para cima; o preço por hora só serve como piso, nunca como teto.
Quais são as quatro linhas da conta do preço de um curso online?
Custo de produção por aluno, taxa da plataforma, custo de aquisição por aluno e margem. O preço precisa cobrir as três primeiras e ainda deixar a quarta. Os guias que mandam "pesquisar a concorrência" pulam essa conta, e é por isso que tanto curso bom vende no prejuízo.
Um exemplo hipotético, para deixar a conta visível. Você gastou R$ 8.000 para produzir o curso (horas de roteiro e gravação, edição, capa, página de vendas) e espera 200 alunos no primeiro ano: R$ 40 de custo de produção por aluno. Vai vender na Hotmart, que cobra 9,9% + R$ 2,49 por venda. Cada aluno custa R$ 90 de anúncio para chegar (a seção de aquisição mostra de onde vem esse número). E você quer 40% de margem sobre o preço.
| Linha | Como calcular | No exemplo |
|---|---|---|
| Produção por aluno | Custo total de produção dividido pelos alunos esperados em 12 meses | R$ 8.000 / 200 = R$ 40 |
| Taxa da plataforma | Percentual da venda mais valor fixo | 9,9% + R$ 2,49 |
| Aquisição por aluno | Custo por lead dividido pela taxa de lead para matrícula | R$ 90 |
| Margem | Percentual do preço que fica com você | 40% |
Fontes: Hotmart, consultada em outubro de 2026; os demais valores do exemplo são hipotéticos.
A fórmula: preço multiplicado por (1 menos a taxa percentual menos a margem) tem de ser igual a produção mais aquisição mais o valor fixo da plataforma. No exemplo, preço vezes 0,501 = 40 + 90 + 2,49, o que dá R$ 264,45. Arredondado para o preço de prateleira mais próximo, R$ 297. Nesse valor, a Hotmart fica com R$ 31,89, sobram R$ 135,11 por aluno, e a margem real é de 45%.
Agora o mesmo curso a R$ 97, o preço "de entrada" que parece fácil de vender: a plataforma leva R$ 12,09, produção e aquisição somam R$ 130, e cada aluno dá R$ 45,09 de prejuízo. O preço baixo não é uma estratégia de volume; é um erro de conta, a menos que o custo de aquisição seja quase zero (lista própria, indicação, audiência orgânica).
Some a produção
Horas suas, edição, design e página, em reais, mesmo que você faça tudo
Divida pelos alunos
Use a estimativa pessimista de matrículas em 12 meses
Some aquisição e taxa
Custo por aluno dos anúncios mais o percentual e o fixo da plataforma
Defina a margem
30% a 50% do preço, conforme quanto do seu tempo o formato consome
Arredonde para cima
Vá ao degrau de prateleira seguinte e teste a página antes de baixar
Quanto a plataforma leva do preço (e quem paga o parcelamento)?
De 4,1% a 10,7% de um curso de R$ 297, conforme a plataforma, e muito mais num marketplace com desconto. A Hotmart cobra 9,9% + R$ 2,49 por venda aprovada; a Kiwify, 8,99% + R$ 2,49; a Eduzz, 4,9% + R$ 2,49 na venda direta e 8,9% + R$ 2,49 quando há afiliado. Numa plataforma própria com gateway, a Stripe cobra 3,99% + R$ 0,39 no cartão nacional e 1,19% no Pix.
| Plataforma (consultada em outubro de 2026) | Taxa | Num curso de R$ 297 | Fica com você |
|---|---|---|---|
| Hotmart | 9,9% + R$ 2,49 | R$ 31,89 (10,7%) | R$ 265,11 |
| Kiwify | 8,99% + R$ 2,49 | R$ 29,19 (9,8%) | R$ 267,81 |
| Eduzz, venda direta | 4,9% + R$ 2,49 | R$ 17,04 (5,7%) | R$ 279,96 |
| Stripe (plataforma própria) | 3,99% + R$ 0,39 | R$ 12,24 (4,1%) | R$ 284,76 |
| Udemy, venda no marketplace | 63% da venda líquida | R$ 187,11 | R$ 109,89 |
Fontes: Hotmart, Kiwify, Eduzz, Stripe, Udemy via SEC, consultadas em outubro de 2026.
A linha da Udemy merece explicação. Na carta aos instrutores arquivada na SEC, a Udemy confirma que o instrutor recebe 37% das vendas feitas pelo marketplace e que a participação nas assinaturas cai para 15% em janeiro de 2026. Quem precifica para a Udemy precifica para a vitrine de descontos da Udemy, não para o próprio público.
O parcelamento é a segunda pegadinha. Na Eduzz, os juros de 3,49% ao mês do parcelamento são pagos pelo comprador, segundo a central de ajuda; se você oferecer "12x sem juros", esse custo sai da sua margem. E receber antes do prazo padrão custa: na Hotmart, o recebimento normal é em 30 dias e antecipar para 2 dias custa 3,59%. Taxas de plataforma não são devolvidas quando o aluno pede reembolso, então o preço precisa prever uma parcela de estornos.
Como calcular o custo de aquisição por aluno antes de definir o preço?
Divida o custo por lead pela taxa de lead para matrícula. Se cada contato custa R$ 15 em anúncio e 1 em cada 6 vira aluno, o custo de aquisição é R$ 90, o valor usado no exemplo. Esse número precisa existir antes do preço, porque ele costuma ser a maior linha da conta.
Os benchmarks ajudam a entender a estrutura, não a copiar o valor. O relatório LocaliQ 2026, com campanhas de busca de abril de 2025 a março de 2026, mostra para o setor de educação e instrução um custo por clique de US$ 4,81, cliques que viram lead em 13,14% das vezes e custo por lead de US$ 77,48. São dados americanos, e pelo câmbio PTAX do Banco Central de 14 de outubro de 2026 (US$ 1 = R$ 5,0441) o lead sairia por R$ 390: use a proporção entre clique, lead e matrícula, não o valor.
A Hotmart recomenda, no próprio guia de precificação, que o custo de aquisição não passe de 30% do preço. Concordamos com a direção e discordamos da ordem: não é o preço que limita o CAC, é o CAC que define o preço mínimo. Se o seu CAC medido é R$ 150, um curso de R$ 297 já consome metade do faturamento em anúncio antes de pagar produção e plataforma.
Dois caminhos reduzem essa linha sem baixar o preço. O primeiro é medir o funil inteiro, do clique à matrícula, com o método de quanto investir em tráfego pago, para descobrir se o problema está no clique caro ou na conversão baixa. O segundo é fechar a matrícula no WhatsApp, onde a objeção de preço aparece e pode ser respondida, como mostra o sistema de como vender curso online pelo WhatsApp.
Preço por valor percebido ou por hora de conteúdo: qual usar?
Valor percebido define o preço; hora de conteúdo define o piso. Cobrar por hora trata o curso como mão de obra, e o aluno não compra horas: compra um resultado, com o menor caminho até ele. Um curso de 3 horas que resolve o problema vale mais do que um de 30 horas que enrola.
Os dados brasileiros explicam por que o valor percebido pesa tanto. Na pesquisa da CNDL/SPC Brasil sobre infoprodutos (coleta em julho de 2023, publicada em março de 2024), o gasto médio na última compra foi de cerca de R$ 155, cursos online representaram 17% das compras, 58% dos compradores concluíram o que compraram e 63% acharam o conteúdo superficial. Um mercado em que dois de cada três compradores se sentem enganados paga pouco por "mais um curso" e paga bem por prova de resultado.
Na prática, o valor percebido se constrói com quatro elementos que entram na página e no preço: a transformação nomeada (o que o aluno faz depois que não fazia antes), o prazo em que ela acontece, a prova (projetos, certificados verificáveis, acompanhamento) e o custo da alternativa (aprender sozinho, contratar alguém, continuar sem). O guia de como criar um curso online trata o programa como percurso justamente por isso: percurso com destino claro se precifica; lista de aulas, não.
O piso por hora continua útil para uma coisa: saber abaixo de que preço o curso dá prejuízo. Some as horas de produção multiplicadas pelo valor da sua hora, divida pelos alunos esperados e esse é o mínimo. O artigo sobre taxa de conclusão em cursos online mostra o outro lado da mesma moeda: aluno que conclui renova e indica, e é isso que sustenta preço alto.
Hora de conteúdo diz quanto o curso custou para você. Resultado diz quanto ele vale para o aluno. O preço mora na segunda frase.
Quanto cobrar por formato: gravado, ao vivo, mentoria ou assinatura?
Depende de quanto do seu tempo cada formato consome depois da venda: gravado escala sem você, ao vivo consome sua agenda uma vez por turma, mentoria consome por aluno, e assinatura troca ticket alto por recorrência. As faixas abaixo vêm do guia da Hotmart, que as chama de benchmarks sem detalhar a amostra, e de preços oficiais que conferimos.
| Formato | Faixa praticada | Exemplo verificado | O que justifica |
|---|---|---|---|
| Gravado de entrada (minicurso, aula única) | R$ 27 a R$ 97 | Low ticket, Hotmart | Sem suporte; vende com lista própria |
| Gravado completo | R$ 197 a R$ 497 | Método Brave Cross, R$ 197 (6h40, vitalício) | Projeto guiado e atualizações |
| Ao vivo ou imersão | R$ 197 a R$ 497 | Mid ticket, Hotmart | Turma com data, dúvidas ao vivo |
| Mentoria ou acompanhamento | R$ 997 ou mais | High ticket, Hotmart | Seu tempo por aluno |
| Assinatura | R$ 29 a R$ 179 por mês | Coursera Plus, R$ 179/mês ou R$ 1.225/ano; Brave Cross Education, R$ 297 por semestre | Catálogo que cresce |
Fontes: Hotmart, Método Brave Cross, Coursera Plus, Brave Cross Education, consultadas em outubro de 2026.
Dois comentários sobre a tabela. O Método Brave Cross, que é nosso, custa R$ 197 com acesso vitalício e garantia de 7 dias; ele fica no piso da faixa de curso completo porque é a porta de entrada para a escola, não o produto principal, e esse é um uso legítimo de preço baixo: quando existe um próximo degrau. A Brave Cross Education cobra R$ 297 por semestre (o equivalente a R$ 49,50 por mês) com todos os cursos liberados; o Coursera Plus cobra R$ 179 por mês ou R$ 1.225 por ano. Assinatura só fecha a conta quando o catálogo cresce e o aluno fica mais de um ciclo.
Para a mentoria, a faixa de R$ 997 para cima é piso, não teto, porque a linha de produção vira linha de tempo: cada aluno consome horas suas depois da venda. Precifique a mentoria pela hora que você deixa de vender a outro cliente, mais a margem, e limite as vagas.
Quando aumentar o preço do curso (e como fazer sem perder vendas)?
Aumente quando dois sinais aparecem juntos: a turma fecha antes do prazo ou a página converte acima da sua meta, e a taxa de reembolso está baixa e estável. Um sinal sozinho engana; os dois juntos dizem que o mercado está pagando menos do que aceita pagar.
Há um terceiro gatilho, menos óbvio: o custo de aquisição subiu. Se o CAC passou de R$ 90 para R$ 150 e o preço ficou em R$ 297, a margem do exemplo caiu de 45% para 25%. Nesse caso, subir o preço não é ganância, é refazer a conta. O contrário também vale: conversão da página abaixo de 1%, que a Hotmart aponta como sinal de problema de preço ou de texto, pede primeiro um teste de oferta, não um corte de preço. O artigo sobre taxa de conversão boa dá as referências brasileiras para comparar.
Avise a base antes
Quem já está na lista compra pelo preço antigo até uma data
Suba um degrau
De R$ 297 para R$ 397, não para R$ 597; o mercado precisa reconhecer a faixa
Acrescente algo visível
Módulo novo, comunidade ou certificado validável justificam o degrau
Meça por 30 dias
Compare conversão da página, CAC e reembolso com o mês anterior
Decida com a planilha
Se a receita por visitante subiu, o preço fica
Dois cuidados legais entram aqui. O preço anunciado precisa ser o preço cobrado, com parcelamento e juros explícitos, e o aluno tem direito de arrependimento na compra online, como detalha o artigo sobre o que a lei exige para vender curso online. Um aumento mal comunicado vira reembolso, e reembolso não devolve a taxa da plataforma.
Perguntas frequentes
Qual é o preço médio de um curso online no Brasil?
Não existe média oficial por curso. A referência pública mais próxima é a pesquisa da CNDL/SPC Brasil, com coleta em julho de 2023: gasto médio de cerca de R$ 155 na última compra de infoproduto, categoria que inclui streaming e e-books. O guia da Hotmart organiza o mercado em faixas de R$ 27 a R$ 97, R$ 197 a R$ 497 e R$ 997 ou mais, sem detalhar a amostra.
Devo começar com preço baixo e subir depois?
Só se o custo de aquisição for quase zero. Com anúncio pago, o preço baixo costuma dar prejuízo por aluno, como mostra a conta do curso de R$ 97 neste artigo. Comece no degrau que fecha a conta com margem, ofereça condição especial para a primeira turma por tempo limitado e suba quando a turma fechar antes do prazo.
Curso por assinatura ou pagamento único: qual rende mais?
Pagamento único rende mais por aluno e exige vender de novo todo mês; assinatura rende menos por mês e exige catálogo que cresce e aluno que fica. O Coursera Plus cobra R$ 179 por mês e a Brave Cross Education, R$ 297 por semestre, consultados em outubro de 2026; os dois só fecham a conta com muitos cursos. Um curso só, venda uma vez.
Quem paga os juros do parcelamento em 12 vezes?
Depende de como você configura a oferta. Na Eduzz, os juros de 3,49% ao mês são pagos pelo comprador por padrão, segundo a central de ajuda da plataforma; se você anuncia "sem juros", o custo sai do seu preço. Antecipar o recebimento também custa: na Hotmart, receber em 2 dias em vez de 30 custa 3,59%.
Quanto cobrar por uma mentoria online?
Pelo tempo que ela consome, não pelo conteúdo. Calcule as horas por aluno (encontros, correções, mensagens), multiplique pelo valor da sua hora, some a margem e limite as vagas. A faixa de R$ 997 ou mais que a Hotmart cita como high ticket é o piso para acompanhamento individual; abaixo disso, a mentoria costuma pagar menos que um curso gravado.
Conclusão
Precificar um curso online é fazer uma conta de quatro linhas e depois corrigi-la pelo valor que o aluno percebe. Quem pula a conta vende barato e trabalha de graça; quem pula o valor percebido cobra por hora e deixa dinheiro na mesa.
O formato decide a faixa, a plataforma decide quanto do preço chega até você, e o custo de aquisição decide se o negócio existe. As três coisas mudam com o tempo, então a planilha precisa ser refeita a cada lançamento, não a cada ano.
Se o seu curso já tem turmas, precisa de financeiro próprio e de certificado que o aluno valida, veja como a plataforma EAD da Brave Cross cuida disso.



